Moliceiros Aveiro

A ria de Aveiro é rica pela sua biodiversidade e num passado não muito passado, o fundo da Ria de Aveiro era procurado pelo moliço, algas marinhas carregadas de minerais, que apesar de terem o nome de moliço, possuem mais que algo mole, a força suficiente para nutrirem os lugares onde moram.

Aveiro-Portugal
A cidade de Aveiro

Os barcos que prosseguiam na demanda da sua busca, em sua honra, ganharam o nome de Moliceiros.

A apanha de moliço, era uma das atividades com grande expressão na região e os Moliceiros percorriam a Ria de Aveiro em busca desta preciosidade, o moliço, cuja principal função era a fertilização dos solos.

Com o progressivo abandono das terras e o desinteresse das novas gerações por esta atividade, associado com as sucessivas dragagens para evitar o assoreamento da barra, a requalificação do porto de Aveiro, e as fortes marés, o moliço deixou de existir na ria de Aveiro. Mas como tão bem afirmou o físico, que na Natureza nada se perde tudo se transforma, a mesma lei se cumpre, naturalmente na vida dos humanos. E os Moliceiros foram aos poucos perdendo a sua missão, à medida que o moliço foi sendo substituído por outros fertilizantes.

Perfeitamente adaptados, os barcos moliceiros foram feitos para navegar em fundos baixos com pouca ondulação, daí o fundo chato e pequeno calado que lhes confere uma grande estabilidade. De grandes dimensões – 15,70m x 2,60m – dão uma extraordinária impressão de leveza, talvez motivada pela elegância das suas formas graciosas da ré e da proa, terminadas pelas bicas pontiagudas.

A madeira usada na sua construção é o pinho, fizeram-se algumas tentativas com carvalho, mas verificou-se que este tem tendência para estalar. Um dos elementos que mais realça a sua beleza são as pinturas que os ornamentam e os distinguem de todos os outros barcos da ria. A pintura é a parte final da sua construção, normalmente o pintor escolhe o tema da figura central de acordo com o proprietário do barco. Uma vez terminada a pintura, escolhe-se uma legenda que seja adequada às cenas e ou figuras. Habitualmente as legendas têm um segundo sentido e um tom brejeiro e humorístico.

O barco moliceiro pode locomover-se à vela, à varga e à sirga. Atualmente a maioria usam motores a gasolina, e só nas regatas e concursos o moliceiro navega segundo os processos tradicionais.

A Ria de Aveiro deixou de ser o palco desta atividade para outras terem oportunidade de surgirem. Os Moliceiros não se revoltaram, adaptaram-se, e é essa atitude que marca a sobrevivência. Assim hoje podemos encontrá-los na ria de Aveiro servindo de meio de transporte para encantar turista e todos os que apreciam conhecer a Ria de Aveiro, através de uma encantadora viagem.

Durante esse percurso os tripulantes conhecem a história dos Moliceiros e do moliço dando reforço ao fato de nada ficar perdido e tudo ser transformado. A atividade profissional mudou o seu foco, mas continua a nutrir terrestes que mergulham no passado ao imaginar as histórias contadas.

Conhecer Aveiro e passear num Moliceiro é por todas estas razões, um passeio inesquecível e diria eu, quase obrigatório, pois o que seria do nosso futuro se acaso corrêssemos o risco de esquecer o nosso passado? Em Aveiro um Moliceiro espera por si para o levar a conhecer a ria de Aveiro e toda a sua história.

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