Pedro e Inês de Castro

A História de Portugal, com mais de 2000 anos, é rica em capítulos dos mais variados tipos. Desde a formação dos primeiros condados Portucalenses, às primeiras lutas pela reconquista do território aos mouros (868), passando por inúmeros episódios das cortes, da nobreza, do clero e da vida do povo na época medieval.

Túmulo de Dona Inês de Castro no Mosteiro de Alcobaça

Muito se pode contar sobre a criação deste pequeno território que sempre soube, desde cedo, manter a sua autonomia e superar todas as crises.

Uma das mais encantadoras e ao mesmo tempo trágica é a história de amor de D. Pedro e Inês de Castro, que inspirou muitas obras de arte, desde a tragédia A Castro, do António Ferreira (1560), até à magnífica peça de teatro de Henri de Montherlant, La Reine Morte, assim como os belíssimos versos que Camões dedica, nos Lusíadas, à “linda Inês, posta em sossego” que, tornada pelo sogro “mísera e mesquinha”, “depois de morta foi rainha”(canto III, est. 118 e ss.).

Corria o ano de 1340 quando D. Inês de Castro, jovem castelhana, vem para Lisboa como aia da noiva do infante D. Pedro, D. Constança. Rapidamente D. Pedro se apaixona pela bela Inês e toma-a como amante, assim continuando durante o seu casamento com D. Constança até à morte desta (1345) e depois disso.

D. Afonso IV, pai do infante D. Pedro, tenta afastar dela o filho, com medo da ameaça que representavam para a soberania de Portugal os dois ricos e poderosos irmãos de D. Inês, Fernando e Álvaro Peres de Castro, nobres castelhanos.

Em 1355, por ordem do rei, e aproveitando a ausência de D. Pedro, D. Inês de Castro é degolada por Diogo Lopes Pacheco (fidalgo), Álvaro Gonçalves (meirinho-mor) e Pêro Coelho, que logo fogem para Castela.

Cheio de raiva, furioso e cego pelo amor, D. Pedro chama os dois irmãos de D. Inês, que ocupam e devastam as terras Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes. A guerra só é interrompida pela rainha mãe, D. Beatriz no acordo de Marco de Canaveses, 1356.

Quando em 1357 morre o rei D. Afono IV, o seu filho Pedro sucede-lhe como rei e consegue obter a extradição, para Portugal, de Álvaro Gonçalves e Pêro Coelho, mas não a de Diogo Lopes Pacheco, que se consegue, entretanto, refugiar-se no reino de Aragão. Os dois primeiros são mortos em Santarém.

Pouco depois D. Pedro declara solenemente que casou com D. Inês de Castro, quando ainda era viva. Declarando-a “rainha” falecida, manda transladar o seu corpo para o mosteiro de Alcobaça, onde segundo a lenda, terá obrigado toda a nobreza da corte a beijar a mão do cadáver.

É uma história de amor que encanta, ainda hoje os nossos corações, o amor proibido é sempre o mais desejado!

D. Pedro contribuiu com dois descentes seus para reis de Portugal, embora de mães diferentes.

Do seu casamento com D. Constança Manuel teve três filhos;

D. Luís, infante de Portugal (1340)
D. Maria, infanta de Portugal (1342-137?), casada com D. Fernando, príncipe de Aragão
D. Fernando, rei de Portugal (1345-1383)

Do casamento com D. Inês de Castro teve 4 filhos;

D. Afonso, infante de Portugal (1346)
D. Beatriz, infanta de Portugal (1347-1381)
D. João, infante de Portugal (1349-1387)
D. Dinis, infante de Portugal (1354-1397)

Da sua relação com D. Teresa Lourenço;

D. João I, Mestre de Avis, rei de Portugal (1357-1433)

É curioso notar que nenhum dos futuros reis de Portugal era filho deste amor proibido. Nenhum dos filhos de D. Pedro e D. Inês de Castro chegou a herdar a coroa Portuguesa. Depois do reinado de D. Fernando, o último rei da dinastia Afonsina, e contra todas as probabilidades, é D. João I, Mestre da Avis, filho de D. Teresa Lourenço, que é eleito o primeiro rei da dinastia de Avis nas célebres cortes de Coimbra em 1385.

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